Titulo: Um ano pra fazer farinha

Sub-Titulo: A prática cultural na educação

Autor(a): THIAGO WILTER DELGADO DE SOUZA, ADRIANA ARAÚJO POMPEU PIZA SANTOS, MARIA ANDRÉA DE OLIVEIRA VIANA, KAROLINE MENEZES

Instituição:Universidade Federal do Amazonas

Ano:2020


Prazer, Diana!

Em Moura, alto Rio Negro, minha  comunidade de origem, o acesso a educação é muito limitado. Um dos motivos que me fez buscar melhores condições para prosseguir nos estudos foi a intensa vontade de ajudar meus pais, que são ribeirinhos produtores de farinha.

O contato direto com a globalização ao chegar na capital fez-me sentir deslocada, pois era uma realidade completamente diferente da que eu vivia em Moura. Dizem que a gente sai da roça, mas a roça não sai da gente, e isso foi muito real, uma vez que não sabia lidar com o dilema de ser ou não ser eu de fato. Meus colegas de ensino médio me julgavam por conta do meu modo de falar, "olha já então" foi uma expressão que causou de cara um meio de identificar que eu era ribeirinha. Isso também implicou na forma de eu agir e até mesmo me vestir, como também usar acessórios que eram produzidos em minha comunidade.

Nos primeiros meses me sentia inferior aos demais colegas, os olhares estranhos sobre mim, assim como comentários maliciosos despertavam em mim as mais diversas sensações, indo desde voltar para Moura como de seguir meu sonho de entrar numa Instituição pública, porque eu não tinha condições de pagar uma faculdade privada, mas apesar das adversidades, me mantive firme, fui guerreira. Todas as noites antes de dormir, imaginava o esforço que meus pais faziam na roça e isso me estimulava a prosseguir, não por mim, mas por eles, pelo grande desejo de poder ajudá-los e ao povo de minha comunidade também. 

Com o tempo, fui percebendo que por mais que a saudade de casa fosse grande e que a sociedade urbana me obrigasse a seguir padrões, eu os tinha que incluir na minha rotina, não porque eu quisesse, pois o dilema de ser a garota ribeirinha ou a descolada urbana ainda era muito presente, mas a cada dia passado eu concluia que para poder ajudar meus pais eu teria que assumir uma identidade que nem eu mesma sabia qual seria e que isso me distanciaria das minhas origens



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