Titulo: A AULA E A FORMIGA

Sub-Titulo: A AULA E A FORMIGA

Autor(a): FERNANDA E KAMILA

Instituição:Universidade Federal do Triangulo Mineiro

Ano:2020

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O contexto dessa narrativa precisa levar em conta toda construção da formação docente: métodos, técnicas, reflexões. No entanto, aqui se reverbera ainda mais o momento de “desordem” destas formas orquestradas de se construir o professor de Biologia, movido por algo que toca profundamente e desesperadamente refletindo o âmago do “ser” professor: a experiência. O estágio realizado com alunos que necessitam de atendimento especializado suscitou a performance dessa crônica. Os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) eram de ampla faixa etária, neste dia, a aula era de um tema comum em Biologia: o solo. Diante das experiências e as problemáticas vivenciadas ali, admite-se que a socialização das experiências é um fator de extrema importância para o aperfeiçoamento de metodologias do processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, questionando aos alunos no decorrer da aula se conheciam os seres que moravam no solo, exemplificando com a minhoca, eles negaram conhecer, dizendo que nunca haviam visto uma minhoca na vida. A tentativa de exemplificar veio novamente através do exemplo da formiga. Novamente, os alunos disseram que nunca viram este animal na vida. Isso gerou um estranhamento profundo nas estagiárias. As formigas estão entre os insetos mais comuns e populosos no planeta. Como uma formiga nunca lhes foi apresentado? Será que lhes falta essa apresentação ou é o caso da falta de uma associação adequada a respeito do nome/animal? Além disso: se partindo do exemplo mais comum e acessível que havíamos pensado já não conseguimos alcançar nossos objetivos, como prosseguiremos com a aula? A reflexão por meio do animal formiga, popular em quase todos os biomas, leva a introspecções ainda maiores acerca de falar sobre a biodiversidade, reconhecer a biodiversidade e ser interlocutor nas atribuições de sentidos desses elementos com o outro – o meu aluno. Nesse sentido, são externalizações em formato de narrativa que devolve também indagações sobre formas de ser/estar no mundo e como as biodiversidades atravessa nossas construções individuais e coletivas. E ainda, como pensar ser professora de Biologia sem considerar a construção do outro que interage, aprende e ensina junta a mim nesse processo? Estes questionamentos foram propulsores para a realização da crônica a seguir.

 



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