O que é o PROFBD – observatório da Educação para Biodiversidade?

Compomos uma rede de pesquisadorxs com ênfase na formação de professores sensíveis à diversidade cultural, respeito às diferenças e combate às desigualdades. Investigamos propostas de formação de um ponto de vista latino-americano e que afirme identidades historicamente silenciadas e violentadas pela perspectiva eurocêntrica e colonizadora próprias da Modernidade.

 

O esforço de trabalho compõe um projeto interinstitucional de pesquisa apresentado para o edital universal do MCTI/CNPq-2016 (edital nº01/2016) – faixa A – com enfoque nos aspectos relativos à formação de professores de Ciências/Biologia e sua relação com a Educação para a Biodiversidade. A proposta tem como ponto de partida a investigação sobre as relações entre as propostas pedagógicas das Instituições de Ensino Superior (IES) participantes deste estudo, e as reflexões sobre aspectos culturais associados a territorialidade, bem como as contradições locais e globais que envolvem aspectos relativos à diferença cultural, desigualdades e identidades docentes.

 

O enfoque dado aponta para uma formação de professores associada as questões relacionadas aos direitos humanos e justiça ambiental, que se fazem presentes nos dilemas reais vivenciados por nossa sociedade como discussões fundamentais e que podem ser subsidiados por conceitos científicos para a tomada de decisões frente às controvérsias que tais temáticas possam gerar. Assim, priorizando os diálogos entre diferentes culturas como pressuposto da tolerância, respeito e cidadania.

 

A equipe que compõe a rede é formada por seis (o6) Instituições de Ensino Superior (IES), são elas: Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); representadas por pesquisadorxs que compõem a equipe executora do projeto. Todos com formação inicial em Ciências Biológicas, e com pós-graduação no campo da Educação e que trabalham em licenciaturas Ciências/Biologia, com vasta experiência na condução de disciplinas pedagógicas, estágios e programas de iniciação à docência.

 

As questões centrais para a referida equipe são: Como a biodiversidade local é abordada na formação de professores das seis IES? Quais as percepções dos licenciandos em Ciências e Biologia, que atuam em diferentes territórios culturais brasileiros, sobre a importância dos aspectos culturais locais visando uma Educação para a biodiversidade? Quais contradições, controvérsias e embates sócio-políticos das diferentes macrorregiões/biomas brasileiros são possíveis de serem desvelados, a partir das narrativas digitais produzidas pelos licenciandos, e quais as relações destes aspectos com a identidade do professor de ciências? Esperamos trazer luz a estas questões não só pelos materiais e narrativas digitais disponibilizadas, mas também pelas reflexões fruto de investigações que se desdobram dos trabalhos desta rede de pesquisadorxs.

Sejam todos bemvindxs! Esperamos gerar um ambiente de aprendizagens colaterais! 

 

Porque usamos a plataforma digital?

A drástica redução da biodiversidade em níveis globais e a ampliação do conceito para uma dimensão cultural, promovem debates importantes no contexto das dimensões políticas, sociais, econômicas e históricas e que compõe as próprias características das sociedades humanas. Assim, a biodiversidade torna-se mais que um conceito escolarizado, mas um contexto sociocultural que compõe identidades e permite o reconhecimento da alteridade a partir da realidade objetiva que materializa uma forma de ser/estar no mundo e dá sentido aos territórios culturais.  Em tempos de crise ambiental e busca por modelos de conservação que apontem a dita sustentabilidade, perpassa pelo reconhecimento de si e do mundo como aspectos não dicotômicos e relevantes para o contexto de formação no âmbito dos processos educativos.

Assim, o produto deste trabalho coletivo é a construção de uma plataforma digital em web 2.0 de livre acesso para professores, em formação inicial e em serviço, sobre narrativas digitais produzidas por licenciandos e professores formadores, que envolvam conhecimento científico em diálogos com conhecimentos tradicionais próprios dos territórios culturais em que estão inseridos. A referida plataforma será disponibilizada no modelo dos Recursos Educacionais Abertos (REAs), em que objetos de aprendizagem, propostas, relatos de experiências com enfoque intercultural serão disponibilizados gratuitamente para a possiblidade de fomentar o debate sobre a formação de professores sensíveis à diversidade cultural.

 

Qual a origem do grupo?

A rede de trabalho surgiu do reencontro de amigos e amigas que junto desenvolvem atividades profissionais no campo da formação de professores de ciências e biologia. Além da afinidade pessoal, o grupo percebeu sincronia de ideias e intenções políticas frente ao cenário que se coloca para o campo da pesquisa em Educação em Ciências. Fazendo uma contraposição à atribuição valorativa dada a ciência frente a outros conhecimentos, nos remetemos às suas características hegemônicas próprias do período Moderno, com contornos marcadamente eurocêntricos que regem as tendências pedagógicas de formação de professores. Assim, pautamos uma possibilidade de formação inicial de professores em uma versão contra hegemônica, que desvela a monocultura do saber arraigada na construção sociocultural da modernidade, e que pasteuriza as relações sociais em nome da globalização capitalista.

Para nós os modelos de formação inicial de professores devem reconhecer o posicionamento dos sujeitos frente à questões voltadas à consciência das diferenças culturais, juntamente com a problematização das contradições que emergem do cenário latino-americanos de assimetrias sociais historicamente construídas, como recurso pedagógico para a tomada de consciência e superação do discurso colonial e da ciência como conhecimento hegemônico.

Quadro 1 – Territórios, universidades participantes, e programas envolvidos na pesquisa.

 

Territórios culturais

Universidade

PROGRAMA

 

 

NORTE

UFAM

Licenciatura Ciências Biológicas

UFOPA

Licenciatura Ciências Biológicas

 

 

 

NORDESTE

UFMA

Licenciatura Ciências Biológicas

 

UFS

Licenciatura Ciências Biológicas

 

 

 

SUDESTE

UFTM

Licenciatura em Educação do Campo – habilitação em Ciências

UFOP

Licenciatura Ciências Biológicas

SUL

UFRGS

Licenciatura em Educação do Campo – habilitação em Ciências

 

Como posso participar?

O grupo trabalha em uma fase de identificação e análise das percepções e concepções de licenciandos sobre diversidade cultural no contexto de ensino e aprendizagem de ciências. Na segunda etapa são orientados a produzir materiais didáticos digitais com o desafio de estabelecer diálogo entre a biodiversidade local e aspectos culturais do território em articulações com conceitos científicos escolares. Além disso, os licenciando devem disponibilizar o material no formato das "narrativas digitais" que posteriormente será objeto de análise dos pesquisadorxs participantes da rede de trabalho. Convidamos todos os(as) colegas que queiram ampliar este coletivo de ação e reflexão sobre aspectos sociais e emocionais da cultural local visando uma formação de professores sensíveis à diversidade cultural.